terça-feira, 9 de junho de 2020

Identificando e combatendo o autoengano religioso de olho nas evidências do Amor

Olá pessoal!  Essa é a continuidade de um conjunto de publicações relacionadas ao tema abaixo. Se você ainda não leu a Parte 1, Parte 2 ou Parte 3, pode acessar através desses links. Espero que sirvam para vossa edificação. Deus nos abençoe! 


Projetos Eclesiásticos de Amor e Generosidade como Ferramenta para o Contentamento Individual e como Pilar para Comunidades de Fé Cristãs Relevantes - Parte final



A passagem de João 13 revela que Jesus Cristo, em meio a consciência de que haveria de ser traído e entregue para ser crucificado, amou os seus seguidores até o fim. Nesse cenário, o mestre lava os pés dos seus discípulos convocando-os a imitá-lo em sua postura de esvaziamento e renúncia, em amor. Ato contínuo, após a saída do traidor, Jesus os entrega um novo mandamento no sentido de que amassem uns aos outros como Ele os tinha amado, para fossem reconhecidos como discípulos. 

Em João 17:21-23, ao interceder pelos seus discípulos, Jesus esclarece sobre a importância da evidenciação da unidade dos seus seguidores, já que seria instrumento para que o mundo cresse Nele. Em consequência disso, nota-se que a pregação ordenada na Grande Comissão (Marcos 16), visando levar toda criatura a crer, precisa envolver necessariamente uma mensagem coerente que integra as evidências do amor e da unidade coletivos às palavras proferidas durante a pregação. 

  As evidências ensinadas por Jesus seriam a fundamentação de uma mensagem cristã, e, em alguns casos, a própria mensagem sem palavras. Mesmo diante disso, não precisamos nos esforçar muito para encontrarmos comunidades de fé cristãs que não evidenciam os elementos fundamentais do evangelho de Cristo, no entanto, estão abarrotadas de seguidores. Em muitos casos, as evidências bíblicas fundamentais foram substituídas pelas baseadas no crescimento numérico e econômico, levando muitos a seguirem a retórica de um evangelho deturpado. 

Projetos de amor e generosidade podem ser entendidos como iniciativas para construção de novas realidades na vida daqueles que se encontram em necessidade, envolvendo a promoção do contentamento dos membros da comunidade de fé, pela reflexão e colaboração dentro do ciclo de dar e receber. Diferente do que muitos entendem, esses projetos não seriam ações isoladas e desvencilhadas das demais frentes de trabalho, como o evangelismo ou discipulado, por exemplo, mas se integrariam a essas como pregação, sendo evidências fundamentais de uma comunidade de fé cristã.  

Pode-se concluir que a ausência de ações que buscam combater possíveis vulnerabilidades sociais em contextos de famílias carentes, que fazem parte de uma determinada comunidade de fé, em meio a um contexto de destinação de significativos volumes de recursos para outros tipos de projetos ou para o custeio organizacional, é um forte indício de que essa comunidade apresenta desalinhamento em relação à missão de Deus e que não tem permanecido no amor.  

Muitos tentam justificar realidades como essa alegando que o amor de Deus pode ser manifesto de muitas formas, como através de eventos evangelísticos, retiros, cultos, discipulado, entre outras. Nesse sentido, a manutenção e a expansão das infraestruturas de suporte aos projetos diretamente relacionados a esses assuntos tornam-se prioridades, tendo como justificativa a prioridade da “pregação do evangelho para a salvação das almas”. 

É realmente importante entender que a manifestação do amor de Deus através de uma comunidade de fé é multiforme. É também necessário que consideremos que todas as possíveis formas podem ser maculadas por motivações egoístas e ambiciosas, como exemplifica o apóstolo Paulo em Filipenses 1:17. A troca indevida das evidências básicas do amor, que envolveriam as ações de benevolência manifestas em projetos coletivos ou em ações individuais, pelas baseadas no crescimento numérico de membros, pode levar a um cenário onde a real restauração de vidas, garantida pelo maior interessado na missão de Deus, o próprio Deus, independente da integridade motivacional dos envolvidos, seja associada a estratégias maculadas pela competição e pelo egoísmo. 

Infelizmente esse quadro é muito mais comum do que podemos imaginar, levando a um caminho que conduz ao descrito na passagem de Mateus 7:22-23, onde pessoas que carregariam inclusive alguns sinais extraordinários citados em Marcos 16:17-18 seriam rejeitadas por Jesus Cristo por não terem realizado verdadeiramente a vontade do Pai. É diante desse perigo que podemos também compreender a importância de projetos de amor e generosidade, já que ajudam a materializar a unidade comunitária, essencialmente produzida pelo Espírito Santo, assim como nos confrontar continuamente com nossas tendências individualistas ao nos envolver muitas vezes em tarefas e contextos que não seriam compatíveis com a nossa vontade própria, no entanto, viabilizados pelo amor. 

Por fim, podemos concluir que projetos de amor e generosidade são uma poderosa ferramenta para o alinhamento de uma comunidade de fé à missão de Deus. Integrados ao processo de santificação, que envolve assuntos com a adoração, discipulado, evangelização, etc., além de serem resultados exclusivos do amor, servem como exames periódicos para avaliação de nossa espiritualidade individual e coletiva. Nesse sentido, são fundamentais para a construção de comunidades de fé relevantes para a missão de Deus e, consequentemente, para a promoção da paz e da justiça social. 

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