terça-feira, 28 de junho de 2011

Homenagem


Uma pessoa  especial nos deixou há alguns dias. Não cheguei a conhecê-la, mas, mesmo assim, já tinha lugar íntimo na nossa família. Mesmo com tão pouco tempo de convivência, já era da família.

Enquanto pensávamos no seu nome, já imaginávamos como seria tê-la em nosso meio. Também já fazia parte das assinaturas de e-mails e dos comentários entre os mais chegados. Muitos já sabiam da sua existência, mas, como nós,  estavam somente iniciando a construção de um relacionamento que nunca imaginara já ser tão significativo para nossa família.

Não sei ao certo o motivo pelo qual resolvi compartilhar esse momento, já que naturalmente seria mais fácil não mais pensar sobre, mas o que veio ao meu coração foi: "Assim como os de vitórias, compartilhe também os momentos de tristezas". Tenho dúvidas sobre o que aconteceu, no entanto, sei que o  que há em nossa família é um sentimento de despedida e tristeza.

Apesar disso, queremos afirmar que Deus é Fiel! Ele nos deu e Ele mesmo levou porque somos dEle. Ele é Perfeito e Soberano!  Queremos aprender a louvá-lO na alegria e na tristeza. O que nos confortará sempre será Seu cuidado e amor. NEle está a nossa cura e esperança. Desejamos estar em breve num lugar onde “não mais haverá criança de poucos dias”, e, se possível, encontrar a quem tanto amamos.

Débora, te amo! Você é especial para mim.

Deus nos abençoe!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Escoteiros & Discípulos

Semana passada lembrei de dois colegas de infância que participavam de um grupo de escoteiros. Achava legal tudo o que eles faziam. As roupas, equipamentos e acampamentos que frequentavam me faziam desejar ser como eles. Esses dias, pensando sobre o que é ser discípulo de Cristo, bem como sobre o processo de discipulado, resolvi escrever sobre, após ler a “Carta aos monitores de patrulha”, escrita por Robert Baden-Powell, fundador do escotismo.

Na minha limitada opinião, o objetivo do escotismo é formar bons cidadãos, para assim ajudar no desenvolvimento de um mundo melhor. Através do ensino e exemplo, os alunos são estimulados a passar pelas etapas (algo como as “patentes”), onde trabalham aspectos como fraternidade, valores, comunidade e comunicação. Com muito contato com a natureza, os escoteiros são ensinados quanto ao serviço, disciplina, lealdade, religião, etc.

Vejo que o escotismo tem uma missão nobre, no entanto, na prática, podemos identificar alguns pontos que podem limitar a efetividade da metodologia desenvolvida por seu idealizador. O primeiro deles está relacionado à motivação inicial do aluno. Acredito que, inicialmente, o que mais atrai a maioria dos jovens ao escotismo é a busca por diversão e reconhecimento. Realmente as programações são muito atrativas, e a conquista de “patentes”, mediante o aprendizado, naturalmente atrai a admiração do grupo. Sendo assim, podemos facilmente notar que nem todos os que vestem o uniforme de escoteiro estão conscientemente participando do processo de formação de bons cidadãos. Nem todos os alunos são obrigatoriamente seguidores. Muitas vezes estão aprendendo algumas coisas para continuarem se divertindo e sendo reconhecidos, mas não obrigatoriamente sendo transformados, conforme o objetivo do programa.

A princípio, concordo que a falta de comprometimento dos alunos com a missão do movimento não necessariamente está relacionada a uma falha na metodologia. No entanto, a possibilidade de jovens chegarem a “patentes” que os possibilitem guiar outros, sem que de fator tenham sido transformados em bons cidadãos, pode vim a deturpar inclusive o objetivo do escotismo. Esses "falsos discípulos", embora com vestes de escoteiro, passam a ensinar baseados em seus interesses e preferências, podendo inclusive prejudicar a imagem do movimento.

A menos que tenha ocorrido um erro de tradução, o ensino desalinhado é um risco que aparentemente Baden-Powell, no mínimo, não considerou relevante, já que orienta os guias de patrulha da seguinte forma: "Quero que vocês, guias de patrulha, entrem em ação e adestrem suas Patrulhas inteiramente sozinhos e ao seu jeito porque, para vocês, é perfeitamente possível pegar cada rapaz da Patrulha e fazer dele um bom camarada, um verdadeiro Homem”. Dessa forma, aparentemente ele considerou que o processo de formação definido garante a geração de verdadeiros escoteiros.

Para diminuir os riscos, o ideal talvez seria que o Escoteiro-mor, o fundador do escotismo, estivesse presente para "arrumar a casa". Sendo assim, suas idéias originais poderiam ser esclarecidas e reafirmadas, e, como ele próprio enfatizou, seu exemplo ajudaria a manter integro o propósito original. Mesmo que alguns não concordem totalmente com tal necessidade, sabemos que a presença do “dono do negócio” é essencial para o sucesso do empreendimento. É claro que isso é impossível, já que Baden-Powell faleceu em 1941. Além disso, mesmo que ele estivesse vivo, é muito provável não fosse capaz de viver plenamente o que pregava. Isso sem levar em consideração o fato de seus ensinos não serem suficientes para o alcance do objetivo desejado, ou seja, formar bons cidadãos. Tais fatos nos ajudam também a perceber como o ser humano é limitado, já que geralmente tende a criar teorias, até com boas intenções, mas não consegue vivê-las plenamente.

Diferente do idealizador do escotismo, Cristo não veio trazer uma metodologia para a formação de bons cidadãos, mas sim dar o exemplo de Filho, dar Sua própria Vida para que outros Filhos fossem gerados. Resumidamente, creio que o objetivo do cristianismo é transformar seres humanos em Filhos de Deus, Discípulos de Cristo, Cidadãos do Reino. Isso tem ligação com a diferença fundamental entre o discipulado de Cristo e qualquer outro discipulado. O de Cristo é o único onde o objetivo é totalmente coerente com a vida do mestre.

Como ocorre com os escoteiros, algumas pessoas podem se envolver com o cristianismo, “vestir uniforme de cristão”, mas de fato apenas estarem buscando seus próprios interesses. Essas não entraram pela Porta, que envolve uma decisão relacionada ao objetivo real do cristianismo, no entanto, possivelmente estarão envolvidos no contexto cristão, até mesmo praticando “ações cristãs”, mas só para satisfazer seus interesses. Ser Discípulo de Cristo envolve muito mais do que conhecer sobre sua história e ensinamentos. O conhecimento humano não garante a transformação, já que somos naturalmente levados a interpretar da forma que nos convém, bem como a praticar só o que nos interessa.  Precisamos, antes de qualquer coisa, nos entregar ao arrependimento, renúncia e dependência do Mestre .

Na sua carta aos guias de patrulhas, Baden-Powell expressa que seria perfeitamente possível um guia formar um bom cidadão ao seu jeito e de forma isolada. Talvez para um objetivo que possa ser relativizado, e que é imperfeito, a idéia seja aceitável. No entanto, para um objetivo perfeito, onde os “guias” estejam também em processo de formação, ou seja, ainda são imperfeitos, ressalta-se a necessidade da presença e atuação direta do Mestre.

Cristo não enviou seus discípulos a fazer discípulos da forma que acharem melhor e de forma isolada. Se assim fosse, acredito que teríamos uma missão impossível. Na verdade, o “Ide” também envolveu a promessa de Sua companhia. Um propósito tão perfeito não seria possível sem a presença dEle. Ele vive e habita entre nós! Cristo discípula através de seus discípulos, através de Seu Corpo, de onde brota Sua multiforme sabedoria. Sendo assim, precisamos a todo o momento lembrar que o único capaz de gerar discípulos conforme o Seu propósito é Cristo. Não temos como isoladamente discipular, mesmo cheios de conhecimento e experiências, pelo contrário, precisamos depender do Corpo, da Igreja, dEle mesmo.

Quando não damos a devida importância à participação do Corpo no processo de formação de discípulos, estamos desprezando o próprio Mestre. Estaremos fazendo “discípulos” para satisfazer nossos interesses, provavelmente buscando mais uma “patente”. Por outro lado, estaremos também desprezando a importância de sermos edificados pelo Corpo, e não isoladamente por alguns dos seus membros, muitas vezes com quem temos mais afinidade natural. Depender do Corpo é uma proteção para nós!

No final de sua carta aos guias de patrulha, Baden-Powell deu a seguinte orientação: “Mas, lembrem-se que vocês devem guiá-los, e não empurrá-los”. Isso me chamou muito a atenção devido às diferenças fundamentais das duas abordagens. Muitas vezes queremos “empurrar de goela abaixo” as nossas convicções quanto ao Reino de Deus. Queremos que as pessoas nos obedeçam, sejam como nós somos. Na verdade, acredito que precisamos caminhar em unidade com Cristo, e assim seremos seguidos. Estaremos de fato guiando, e assim fazendo discípulos dEle.

Deus nos abençoe!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O sistema

Estive lendo um pouco sobre o sistema solar, relembrando minhas saudosas aulas de Ciências no primário. Observar suas características mais simples nos revela muito sobre o propósito de sua criação, bem como sobre quem o criou. Contemplar seu funcionamento nos ajuda a entender um pouco sobre nossa caminhada e participação nesse maravilhoso sistema.

Podemos considerar um sistema como sendo “um conjunto de elementos interconectados, de modo a formar um todo organizado”.  Além disso, lembremos que todo sistema é criado com um objetivo específico. Seus componentes interagem entre si, cada um realizando uma função específica, para alcançar o propósito desejado. No caso do sistema solar, conhecemos alguns de seus componentes: sol, planetas, luas, asteróides, etc. Apesar de minhas limitações técnicas sobre o assunto, acredito que cada um desses componentes possui função específica, necessária para o equilíbrio do sistema, e conseqüentemente para o alcance de seu objetivo.

Mas qual o objetivo do sistema solar? Uma resposta simples, um tanto humanista, está relacionada à manutenção da vida humana. Nela, o homem seria o componente central, já que o sistema teria sido criado para preservá-lo. Uma resposta aceitável, mas contestável, já que seres humanos morrem todos os dias, não é mesmo? Existiria então um BUG no sistema solar? Seu criador falhou ao criá-lo? Acredito que não. Pelo contrário, considerando que o criador desenvolveu um sistema perfeito, seu propósito será perfeitamente realizado. Sendo assim, creio que o propósito do sistema solar, bem como o de toda a criação, não seria simplesmente manter a vida humana, mas sim revelar seu Criador, bem como Seu Propósito maior.

No sistema solar temos o sol como estrela central, com todos os outros componentes dependentes dele para se sustentarem. Tudo gira em torno do maravilhoso astro-rei, e nele está o equilíbrio do sistema. Apesar disso, geralmente esquecemos a verdadeira importância do sol para nós, e desprezamos a dependência que temos dele para sobreviver. O sol é até muito admirado por sua beleza, pelo que tem a oferecer, mas lembramos pouco sobre a dependência que a terra e os outros componentes têm dele. É nessa dependência que está o sustento da vida.

Esse grandioso sistema é composto também de componentes com capacidade de escolher se submeter ou não às leis definidas. O próprio criador os fez com tal capacidade. Refiro-me ao ser humano. Nesse contexto, por exemplo, o homem, usando da sua inteligência, baseado em suas vontades, pode desenvolver mecanismos que o levem a utilizar recursos do planeta terra numa velocidade diferente da “permitida pelo astro-rei”, trazendo desequilíbrio ao sistema, e conseqüentemente graves problemas.

Interessante notar que, apesar de termos a capacidade de fazer escolhas que podem trazer desequilíbrio ao sistema, as mesmas não impactam o sol. Ele continua “reinando”, conforme sua essência, poder e glória. No entanto, algo muda. Os que decidirem não depender dele, não respeitar suas leis, terão como consequência a destruição e morte. Para comprovar, observemos a causa consequências do desequilíbrio do efeito estufa.

Tudo que existe foi criado para colaborar com a revelação do Propósito maior. Dessa forma, contemplando  a criação, podemos entender que fomos criados para fazer uma escolha: depender ou não dEle. O objetivo do “sistema” é permitir que façamos tal escolha. Se optarmos por depender, teremos Vida eterna! Senão, apesar de não interferir na Sua vontade, na Sua essência, que continua boa e justa, iremos nos expor à destruição eterna, já que estaremos contrariando o Sol da Justiça. Sendo assim, contemplemos o sistema! Escolhamos depender dEle! NEle está a Vida!

"Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis."

Deus nos abençoe!