Olá pessoal! Essa é a continuidade de um conjunto de publicações relacionadas ao tema abaixo. Se você ainda não leu a Parte 1, pode acessar através desse link. Espero que sirvam para vossa edificação. Deus nos abençoe!
Projetos Eclesiásticos de Amor e Generosidade como Ferramenta para o Contentamento Individual e como Pilar para Comunidades de Fé Cristãs Relevantes - Parte 2
Na mensagem de Jeremias 29:11 encontramos o termo hebraico הַמַּחֲשָׁבֹת (‘machashabah’), geralmente traduzido para o português como pensamento ou ideia. No entanto, ao analisarmos a raiz do termo ‘chashab’ podemos notar que se trata de um significado ainda mais amplo, envolvendo tanto elementos de um processo criativo como a visão, a estratégia, o plano e o projeto, como também aspectos qualitativos que expressam a perfeita capacidade e intenção do autor. Em Jeremias 29 temos um cenário onde o povo de Israel foi transportado como prisioneiros de Jerusalém para a Babilônia, pelo rei Nabucodonosor. Através da mensagem de Jeremias, Deus esclarece que Ele mesmo transportou o povo como parte de Seu ‘machashabah’ (v. 4), orienta sobre alguns projetos que deveriam ser conduzidos pelos cativos (v. 5-8) e informa quando os libertaria (v. 10). Além disso, alerta quanto aos profetas que profetizavam mentiras no nome dEle, assim como em relação aos sonhos falsos, incentivados pelo próprio povo, mas contrários ao Seu propósito (v. 8-9).
Percebe-se que Deus não tinha a intenção de libertar imediatamente o povo do cativeiro, mas sim de envolvê-los num processo de aprendizado e transformação. Esse processo envolveria a execução de seus projetos de vida na cidade onde eram prisioneiros, contribuindo com a prosperidade daquele local, orando pela paz durante 70 anos. Apesar de ter mantido Sua promessa de libertá-los, Deus demonstra o desejo de levá-los a experimentar um processo onde suas vidas passariam a beneficiar outros, mesmo inimigos, através de ações para promover a prosperidade e orações pela paz.
No livro de Mateus, capítulo 22, encontramos um cenário que revela mensagens semelhantes às de Jeremias 29. Jesus Cristo estava aparentemente cercado por fariseus e saduceus que tinham a intenção de desacreditá-lo para destruir a Sua credibilidade através de perguntas capciosas. Esses líderes religiosos tinham criado em torno deles um cenário onde deveriam ser considerados como responsáveis pela interpretação e aplicação dos mandamentos, e serem tratados como a própria “voz de Deus”. Assim como o profeta Semaías que tentou calar Jeremias, aqueles homens estavam se levantando contra o próprio Deus.
Em Mateus 22:34-40 temos a passagem onde os fariseus, após notarem que Jesus tinha emudecido os saduceus, apelam para um questionamento sobre os mandamentos, ou seja, levam o debate para um território onde eram considerados imbatíveis. Sabe-se que os religiosos tinham criado centenas de mandamentos através dos quais manipulavam o povo conforme seus próprios interesses, já que eram os responsáveis pela interpretação sobre o que as pessoas poderiam ou não poderiam fazer. A construção de um sistema religioso corrompido seria consequência da contínua rejeição à “voz profética de Jeremias”, agora se repetindo através da vida de Jesus.
A resposta de Jesus Cristo foi mais que uma demonstração de conhecimento técnico sobre os mandamentos, mas expressa, assim como em Jeremias 29, o ciclo de amor que a humanidade tem sido chamada a viver a partir da doação do próprio Deus, que é amor. Agora, diferente do povo na época de Jeremias, eles estavam frente a frente com a encarnação perfeita do amor, Jesus Cristo.
Através da passagem de I João 3:16-18 pode-se entender melhor como somos inseridos nesse ciclo de amor e de como ele deve se manifestar nas nossas ações práticas. Inicialmente o texto lembra que o conhecimento do que é o amor está numa realidade onde Jesus Cristo dá a vida por nós, e de que nós devemos dar a nossa vida pelos irmãos (v. 16). Sem essa realidade com repercussão prática, onde partilhamos também nossos recursos materiais (v. 17) em consequência do que recebemos dEle, estaremos evidenciando que não conhecemos o verdadeiro amor, e assim nunca teremos nossos corações tranquilizados diante dEle (v. 19).
Podemos encontrar a relação entre a resposta de Jesus em Mateus 22 e a consequência prática relacionada a destinação dos nossos bens materiais a fim de suprir as necessidades dos outros. Somos alertados a não amarmos uns aos outros e a Deus só de palavra, mas em ação e em verdade. Além disso, informados que a obediência aos mandamentos é evidência de que permanecemos em Cristo e Ele em nós, pelo Espírito Santo (v. 24).
A passagem de Atos 4:32-37 relata uma característica fundamental do estilo de vida da comunidade dos primeiros cristãos: Não havia entre eles necessitados. Muitos relacionam esse cenário a uma possível igualdade de posses entre as pessoas. No entanto, podemos notar que os recursos doados por aqueles que vendiam suas propriedades eram entregues aos líderes comunitários (v. 34), os apóstolos, a fim de que fossem repartidos conforme a necessidade individual que cada um tinha (v. 35), provavelmente diferentes.
Podemos imaginar uma comunidade harmônica e justa, livre do sentimento de posse (v. 32), onde aparentemente todos os bens eram considerados públicos e tinham como utilidade o suprimento da comunidade; e essa seria a intenção e desejo de todos, tanto dos que doavam como dos que recebiam. Apesar disso, não vemos indícios de um nivelamento das necessidades individuais (v. 35), assim como que as doações eram realizadas em meio a alguma forma de constrangimento por parte dos líderes, pelo contrário, eram feitas voluntariamente a partir da unidade de coração e alma (v. 32).
Em Filipenses 4, Paulo se alegra não porque tenha recebido as ofertas do Filipenses, apesar de suas tribulações, mas pelo que seria creditado a eles no que se refere ao dar e receber. O apóstolo tinha decidido por um estilo de vida que não fosse peso para as comunidades que cuidava. Apesar disso, embora tendo dons e talentos naturais destacados, Paulo não criou ao redor de si uma redoma de segurança com base nos recursos que poderia ter acumulado. Aparentemente Paulo optou por um estilo de vida compatível com sua vocação, pronto para dar e receber para, assim, experimentar e promover a entrada de outros no ciclo de contentamento, tendo todas as necessidades supridas de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus (Filipense 4:19).
Deus nos abençoe!
Deus nos abençoe!
Ensina-nos, SENHOR, a sermos sensíveis a Tua voz e agirmos com o Teu coração.
ResponderExcluirAmém!
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